
O impacto do programa habitacional e das taxas de crédito nas cidades médias como Maringá.
Muitas cidades do interior paranaense, inclusive Maringá, estão vendo uma movimentação crescente em torno de programas de habitação popular e linhas de crédito acessíveis. Essas iniciativas têm se tornado decisivas para atender famílias de baixa e média renda, ao mesmo tempo em que estimulam o setor da construção civil e atuam sobre o déficit habitacional.
Avanços recentes
Nos últimos anos, o Paraná investiu montantes significativos no Minha Casa Minha Vida (MCMV) e em programas correlatos. Até o fim de 2024, o Estado havia feito cerca de 93.143 contratações de unidades habitacionais pelo MCMV.
Além disso, o governo estadual, através da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), criou e expandiu o Casa Fácil Paraná, programa que concede subsídio para a entrada de imóveis financiados pelo MCMV, favorecendo famílias com renda de até quatro salários mínimos.
No primeiro semestre de 2025, o Paraná destinou cerca de R$ 225 milhões em projetos habitacionais, tanto para novas construções quanto para modalidades especiais, como moradias para idosos.
Desafios que limitam a expansão
Apesar do esforço, há obstáculos práticos que impedem que o programa alcance toda sua potencialidade, sobretudo em cidades médias como Maringá:
- Valor dos terrenos: em Maringá, a dificuldade de encontrar terrenos com preço compatível para construção dentro das regras de financiamento do MCMV é apontada como um dos principais entraves. Muitas áreas disponíveis pedem valores muito altos por alqueire, tornando inviável lançar moradias populares.
- Taxas de juros e custos de crédito: embora existam modalidades com condições favoráveis para quem tem renda menor, o custo do crédito sobe conforme a renda e o valor do imóvel. As famílias de classe média, por exemplo, podem conseguir financiamentos maiores mas com juros nominais mais elevados e prazos longos.
- Limitações de acesso: para famílias mais pobres, além do valor de entrada, outros custos como logística, infraestrutura do terreno, transporte público e acesso a serviços públicos pesam bastante. Mesmo com subsídios estaduais, esses fatores podem inviabilizar a moradia se não forem considerados no planejamento urbano.
Impacto nas cidades médias como Maringá
Em Maringá, os reflexos dessas políticas são visíveis:
- Há projetos intermediados pela prefeitura com a Caixa para construção de centenas de imóveis, mas são bem menores do que o potencial estimado segundo os critérios do programa federal.
- A oferta de subsídios estaduais e municipais, bem como incentivos para flexibilizar usos do solo e parcelamento de lotes, poderiam permitir mais lançamentos, principalmente para famílias de baixa renda.
- Aumentos de juros ou custos de construção têm o poder de desestimular empreendedores e reduzir proporção de unidades populares nos lançamentos residenciais.
Perspectivas para o 2º semestre de 2025
Para os próximos meses, a expectativa é de que continue a haver crescimento nos programas de habitação popular, especialmente se:
- houver continuidade ou ampliação de subsídios estaduais como o Casa Fácil Paraná;
- forem adotadas medidas para garantir terrenos urbanos a preços viáveis ou mudanças nas leis de uso do solo que facilitem oferta de lotes para habitação de interesse social;
- as taxas de juros se mantiverem dentro de patamares aceitáveis para famílias de menor renda, ou haja mecanismos de correção/incentivo para mitigar seu impacto.
Se essas condições forem atendidas, Maringá e outras cidades médias poderão ver uma parte substancial do déficit habitacional sendo reduzida, além de estímulo à economia local através da construção civil e geração de empregos.